OPINIÃO – Teresa antecipa campanha e usa pandemia como mote de discurso

Fora do comando direto da Prefeitura de Boa Vista pela primeira vez nos último oito anos, a ex-prefeita Teresa Surita (MDB) está em campanha aberta pelo Governo do Estado. Nesta quinta-feira (4 de março), Teresa usou seu perfil no Instagram (@teresasutira) para desqualificar a gestão da saúde do atual governo e criticar a obra de reforma do Hospital Geral de Roraima (HGR), que ela diz estar demorando muito e, por isso, prejudica a população.

Quando estava vivendo os últimos meses do seu mandato como gestora da Capital e apresentou seu pupilo Arthur Henrique (MDB) como candidato a seu sucessor, Teresa se declarou de imediato candidata ao governo estadual. Uma vez fora da cadeira de prefeita, ela começa a usar suas redes sociais – coisa que faz bem – para tentar desconstruir a atual gestão e criticar as políticas adotadas pelo governador Antônio Denarium.

A postagem de Teresa no Instagram é bastante ácida e não deixa dúvidas de que ela antecipou a disputa eleitoral do próximo ano. O discurso político de Teresa perpassa desde o tempo em que a obra do anexo do HGR começou, ainda na gestão do ex-governador e já falecido José de Anchieta, que naquele tempo era seu aliado político, até a pandemia de Covid-19. Teresa quer colocar a culpa das dificuldades de atendimento aos pacientes de Covid, doença que causou o estrangulamento do sistema em praticamente todas as capitais, na conta da atual gestão.

É preciso dizer que a desobediência da população às medidas restritivas determinadas pelo poder público, Estado e Município, é um dos fatores que leva ao agravamento da pandemia em Roraima, assim como em outros estados. E isso foi dito pelo próprio prefeito Arthur Henrique, quando ele baixou o mais recente Decreto, no qual impôs lockdown total no próximo final de semana (dias 6 e 7) para forçar a redução na circulação de pessoas nas ruas da cidade. Outro ponto: o grande número de venezuelanos que veio para Boa Vista sob a promessa de terem a moradia social feita por Teresa, também contribuiu para o agravamento da saúde estadual. Não se pode apostar apenas na memória curta das pessoas.

Eis o que diz Teresa: Hoje, o que mais aflige as famílias em Roraima, é o medo de precisar se internar no HGR. Lá é o sinônimo do descaso, da desumanidade, do sofrimento e da angústia. Faz 10 anos (uma década) que o Hospital Geral de Roraima está em reforma. Preciso me posicionar em relação a isso, pois amigos, conhecidos e muitas pessoas têm perdido a vida qdo precisam do HGR. Sao quase 1.200 mortes nesta pandemia, em nossas previsões mais sombrias, não esperávamos chegar a um número tão grande de óbitos. Quanta coisa seria diferente se tivéssemos um hospital com número de leitos adequados, equipamentos, medicamentos, funcionários valorizados com estrutura de trabalho, respeitando a vida”.

A ex-prefeita continua: “É revoltante constatar que a saúde não é priorizada e ouvimos discursos mentirosos que “está tudo bem” enquanto as mortes continuam acontecendo todos os dias em números jamais vistos. Estou revoltada e indignada com está situação do desamparo daqueles que precisam e encontram como resposta está “cada dia melhor”. Fica aqui minha reflexão e indignação sobre essa situação desumana de descaso com a saúde que chegamos hoje. Minha solidariedade aos profissionais que sobrevivem esse caos e meus sentimentos a tantas vítimas deste descaso”.

Enfim, a disputa pelo governo de Roraima começou.

Abaixo, segue nota da Secretaria de Comunicação do Governo de Roraima, na íntegra, sobre o posicionamento da ex-prefeita Teresa Surita no Instagram.

OUTRO LADO

A Secretaria de Comunicação Social acredita que a ex- prefeita Teresa Surita entende bastante de obras inacabadas

Ao deixar o cargo de prefeita, em dezembro de 2020, entregou uma obra inacabada aglomerando 17 mil pessoas que hoje o reflexo se dá na superlotação do HGR (Hospital Geral de Roraima Rubens de Souza Bento), durante a pandemia, por falta de atendimento na saúde básica, pois os postos de saúde continuam fechados mesmo com a crise da covid-19, atingindo com prioridade os moradores da Capital.

Como conselheira municipal contratada por valores altíssimos, a ex-prefeita Teresa Surita deveria orientar o prefeito Arthur Henrique, seu substituto, a organizar a gestão do município para fazer algo para ajudar a população durante a pandemia.

A Prefeitura de Boa Vista não tem nenhum atendimento eficiente na saúde básica, que é sua responsabilidade, não tem programa de auxílio aos pobres e não há programa eficiente de redução da contaminação, pois as medidas adotadas pela Prefeitura continuam causando ainda mais aglomeração, a exemplo das praças.

Sobre a obra do Bloco E do HGR, é importante pontuar foi iniciada em gestões passadas e retomada na atual gestão do Governo de Roraima.

Ao assumir a gestão do Governo, o governador Antonio Denarium determinou prioridade para a retomada da obra, que foi reiniciada em abril de 2020, após ajustes necessários no projeto inicial, e pagamento dos débitos que foram deixados pela gestão passada. A previsão de conclusão dos serviços é para o final do primeiro semestre de 2021.

O Bloco terá 120 leitos de enfermaria, 40 de UTI (Unidade de Tratamento Intensivo) e 10 centros cirúrgicos.

O projeto inicial previa investimento de R$ 35 milhões, recursos financiados pelo Banco do Brasil, mas não contemplava itens imprescindíveis para o funcionamento da unidade hospitalar, entre os quais, subestação de energia, sistema de proteção contra descargas atmosféricas, grupos geradores, rede lógica e gases medicinais e rampa de saída de emergência.

Com a readequação do projeto, o Governo do Estado realizou a complementação de capital e estão sendo investidos na obra R$41 milhões. Mas dessa vez a unidade estará pronta para o uso.

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