Pouco caso da Emhur impede governo de construir escolas para atender jovens da periferia

Interesses politiqueiros continuam travando a liberação, pela Prefeitura de Boa Vista negou, de quatro terrenos institucionais para a construção de escolas na Capital. Os lotes estão localizados no bairro Cruviana, Dr. Airton Rocha, Cidade Satélite e São Bento. As quatro unidades, juntas, atenderiam cinco mil estudantes.

Pelo projeto, as escolas, de modelo padrão,  são compostas por 12 salas, com capacidade para 35 alunos em cada, por turno de aula (matutino, vespertino e noturno). Nesses bairros só existem escolas municipais, que são responsáveis pelo ensino até o quinto ano do Ensino Fundamental, quando o aluno tem 10 anos de idade. 

A partir daí o ensino passa a ser responsabilidade das escolas estaduais. Como não tem escolas da rede estadual nesses bairros, os alunos são obrigados a estudarem longe de casa, em outros bairros.

A Dricélia Viana conta que no conjunto Pérolas do Rio Branco, local de um dos terrenos, a maioria dos alunos estuda no Centro. Ela afirma que a população precisa se manifestar para que essa escola seja construída no bairro.

“Acredito que ninguém aqui sabia dessa situação. Os filhos dos vizinhos estudam longe, a maioria vai para o Centro e os pais ficam preocupados, além de ser um gasto a mais. A gente precisa fazer alguma coisa, mas essa escola tem que ser construída aqui”, disse.

Já a Adriana Brito, moradora do bairro São Bento, explica que o fato do filho dela estudar longe dificulta muito, já que o seu marido trabalha no interior e é perigoso para a criança ir só para a escola.

“Todo bairro teria que ter uma escola que abrangesse todas as séries. Para os pais não ficarem se locomovendo. Aqui, no São Bento, é muito necessário ter uma escola estadual. Temos muito medo de que ele ande só pela rua, então temos que ir deixar e buscar”, destacou.

Secretário diz que Emhur se nega a recebê-lo 

O imbróglio começou em 2019, quando o governador Antonio Denariu pediu à secretária de Educação Leila Perussolo para fazer um levantamento nos bairros onde não existem escolas estaduais e que, com isso, obrigam o aluno a estudar longe de casa.

Em julho de 2019 o governador Antonio Denarium enviou um ofício para a então prefeita Teresa Surita solicitando os terrenos institucionais de cada bairro para a construção das escolas. Um ano depois esse ofício foi respondido, negando os terrenos do São Bento e do Cidade Satélite, alegando já ter projeto futuro.

O pedido dos terrenos do Pérolas do Rio Branco e do Cruviana foi aceito e encaminhado para a Empresa de Desenvolvimento Urbano e Habitacional (Emhur) para a tramitação legal.

Porém esse processo não avançou. De acordo com o secretário Adjunto da Secretaria de Gestão Administrativa (Segad) Leocádio Vasconcelos, ele nunca foi recebido na Emhur para dar andamento na liberação dos terrenos.

“Eu vou lá [na Emhur] duas ou três vezes por semana e o presidente da Emhur não me atende de jeito nenhum. E nós temos muitas demandas lá, não são só esses terrenos não, nós temos muita demanda acumulada e não se resolve. Já voltei na Prefeitura para ver se eles pressionavam a Emhur, mas não resolveu”, esclareceu Vasconcelos.

Leocádio explicou ainda que a Empresa Municipal de Habitação precisa liberar e mandar esse o processo para a Secretaria de Finanças do município, para então ser feito o cadastramento das áreas em nome do Estado.

Para a secretária de Educação e Desporto, Leila Perussolo, “negar esses terrenos é negar o direito à criança estudar”. O projeto para a construção das escolas está pronto na Secretaria de Infraestrutura [Seinf] e os recursos para as obras estão em caixa. 

“Só falta a liberação desses terrenos, que são para esses fins. Escolas, praças, postos de saúde, delegacia. São áreas institucionais, mas a prefeitura não está negando esses terrenos para o Governo do Estado, está negando o futuro para esses alunos”, complementou a secretária.

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LUIZ VALÉRIO
LUIZ VALÉRIO

Jornalista e Podcaster. Este Blog, que edito há 18 anos, é uma singela contribuição para a sociedade. É uma espécie de "jornal pessoal" por onde tento provocar o debate sobre assuntos inadiáveis para Roraima e para o Brasil. Também edito o Podcast Direto ao Ponto, que vai ao ar todas as semanas e você também pode ouvir aqui.

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