Atentados contra jornalistas em Roraima costumam ficar impunes

Acabo de ver no Jornal de Roraima, segunda edição, uma matéria cobrando o desfecho das investigações acerca do sequestro do jornalista Romano dos Anjos, que completa 5 meses sem elucidação. O delegado titular do caso, João Evangelista, foi afastado e a investigação foi repassada para o comando de duas delegadas que, por sua vez, pediram segredo de todo o processo.

Romano dos Anjos foi sequestrado de dentro da sua casa. O jornalista foi levado para uma área de lavrado na Região do Bom Intento, onde foi espancado de forma covarde, o que resultou em seus dois braços quebrados e em sequelas psicológicas. Na noite do sequestro, o carro de Romano foi incendiado como forma de despistar a polícia.

As investigações apontam para a participação de servidores públicos, possivelmente policiais militares. É o que diz o inquérito. O delegado João Evangelista sustenta que seu afastamento do caso teve o objetivo de embaraçar as investigações. Ele acusa o delegado-geral Herbert Amorim de ter interesse em retardar a elucidação do crime.

Uma coisa é certa: nesses casos em que crimes envolvem e/ou apontam para a participação de “gente grande” (e tudo leva a crer que o sequestro de Romano dos Anjos desaguaria nos subterrâneos do poder em Roraima), ou de pessoas amparadas por poderosos, a tendência é que ocorra uma “operação abafa”.

Não foi a primeira vez. Lembremos de 2016

Só recordando: em 2016, bandidos foram à minha casa pela madrugada e atiraram em nosso carro. Três balaços. A perícia técnica apontou para o uso de pistola .40, de uso policial. Até hoje o caso não foi elucidado. Já deve ter sido arquivado, mesmo eu tendo cobrado mais atenção a ele por parte do Ministério Público (MPRR). Então, eu sei bem o que é isso. O caso foi repercutido no site da Associação Brasileira de Imprensa. Saiu também no site da Revista Imprensa.

Detalhe: semanas antes, eu havia sido expulso da Assembleia Legislativa por policiais da guarda legislativa. A Casa era, então, presidida pelo deputado Jalser Renier (Solidariedade). Posteriormente, fui proibido por outro PM da polícia interna da ALERR de entrar naquele poder.

A justificativa é que se tratava de uma determinação da Gerência-Executiva da Casa, que, diga-se, é subordinada à Mesa Diretora, leia-se à presidência. Enfim, uma sucessão de fatos que deixam pistas sobre a procedência da tentativa de intimidação. Agora, acontece algo ainda mais grave com o colega Romano dos Anjos.

O pior de tudo é que na época ainda houve almas sebosas dizendo que tinha inventado tudo para aparecer e me passar por vítima. Enquanto isso, os criminosos ficaram impunes.

No caso de Romano, houve vozes tenebrosas que disseram a mesma coisa, apontando de forma canalha para uma suposta simulação, querendo ligar o fato aos interesses eleitorais do grupo político ao qual estão ligados os veículos de comunicação para os quais ele trabalha. Enquanto isso, novamente, os criminosos seguem impunes.

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LUIZ VALÉRIO
LUIZ VALÉRIO

Jornalista e Podcaster. Este Blog, que edito há 18 anos, é uma singela contribuição para a sociedade. É uma espécie de "jornal pessoal" por onde tento provocar o debate sobre assuntos inadiáveis para Roraima e para o Brasil. Também edito o Podcast Direto ao Ponto, que vai ao ar todas as semanas e você também pode ouvir aqui.

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