Câmara de Boa Vista quer ajuda de Bolsonaro para solução de problemas decorrentes do fluxo imigratório

A ocorrência de novos casos de violência em Roraima envolvendo imigrantes venezuelanos levou os vereadores de Boa Vista a travarem um intenso debate, na sessão desta terça-feira (18 de junho), sobre a necessidade de chamar a atenção do Governo Federal para o drama vivido pelos roraimenses, que se sentem afetados negativamente pela crise imigratória.

O último caso de violência cometida por estrangeiro foi o assassinato do empresário Antônio Coelho de Brito, de 69 anos, morto com vários golpes na cabeça, no domingo (16 de junho). O assassinato do empresário, supostamente praticado por um venezuelano, causou revolta nos vereadores. O entendimento geral é que o Palácio do Planalto não tem dado a devida atenção ao poder público local, que está tendo que arcar com o ônus decorrente da crise venezuelana.

O presidente da Casa, vereador Mauricélio Fernandes, anunciou que será elaborado um documento conjunto que será assinado por todos os parlamentares para ser enviado ao presidente da República, Jair Bolsonaro, pedindo mais atenção para os problemas decorrentes do intenso fluxo imigratório, como o esgarçamento da capacidade de atendimento nos postos de saúde da capital.

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Num discurso inflamado na tribuna da Câmara de Boa Vista, o vereador Júlio Cezar de Medeiros (Podemos), disse ser “um absurdo sem tamanho que a Operação Acolhida tenha recebido até agora R$ 450 milhões para custear ações de apoio aos venezuelanos, enquanto a Prefeitura de Boa Vista e o Governo de Roraima estão no osso”.

Pontuado por ponderações de vários vereadores, Medeiros disse ser inaceitável que 80% dos atendimentos feitos nas unidades básicas de saúde da capital roraimense sejam de venezuelanos. A queixa é que nos postos de saúde de Boa Vista praticamente não há mais vagas para que se atenda à população local, ou seja, brasileiros. “Você chega nos postos de saúde e só ouve pessoas falando espanhol”, disse o vereador Ítalo Otávio.

O parlamentar disse ter elaborado um projeto de lei, que será assinado por todos os vereadores, instituindo a obrigatoriedade de que 50% das vagas para atendimento nos postos de saúde sejam destinadas a brasileiros. “Chega a ser um cúmulo que seja necessário fazer um projeto para garantir que os brasileiros tenham 50% de oportunidade de atendimento nos postos de saúde de Boa Vista”, disse.

Cadê a bancada federal de Roraima?

“Cadê os deputados federais de Roraima que não veem essa situação? Antes das últimas eleições dizia-se que Roraima não tinha deputados federais para defender seus interesses. E continua não existindo. Foi preciso vir o deputado Eduardo Bolsonaro aqui para constatar que de 37 partos feitos na maternidade 30 são de mulheres venezuelanas (o número correto é 40 em 47 partos feitos em venezuelanas). Mas depois ele foi embora sem trazer nenhuma solução”, criticou.

Indignado com a preferência dada pelo Governo Federal às ações da Operação Acolhida supostamente em detrimento do bem-estar da população brasileira local, Júlio Cezar de Medeiros disse que Roraima não precisa de militares nas ruas cuidando de imigrantes. “Os militares devem estar é cuidando da segurança das nossas fronteiras”, afirmou. Medeiros considerou injusto o tratamento desigual dado pelo governo aos brasileiros.

A fala do parlamentar demonstrou todo o sentimento de indignação que toma conta da sociedade e das autoridades locais. Outro motivo de indignação é o discurso de parte da imprensa nacional, como a Rede Globo, que acusa os roraimenses de serem intolerantes com os venezuelanos.

Nesse sentido, o vereador Nilvan Santos (PSC) publicou uma nota de repúdio nas redes sociais rebatendo a acusação de xenofobia feita pela Rede Globo contra os roraimenses. Leia a íntegra da nota abaixo:

NOTA DE REPÚDIO

Como representante do povo boavistense, na Câmara de Vereadores, não posso aceitar a cena que foi ao ar na novela “Órfãos da Terra”, da Rede Globo de Televisão, na noite dessa segunda-feira, 17 de junho.

a cena em questão, um personagem fala que o povo venezuelano está sendo hostilizado pelos roraimenses e que apenas um padre na cidade fronteiriça de Pacaraima está estendendo a mão para os imigrantes. Mas isso não é verdade e os fatos desmentem a fala da novela.

Muitos recursos têm sido investidos para ajudar quem cruza a fronteira em busca de uma vida melhor. Atualmente, já são mais de 4 mil alunos matriculados só na Rede Municipal de Ensino de Boa Vista, além dos inúmeros atendimentos realizados na área da Saúde.

Fica aqui o nosso sentimento de repúdio e indignação, porque apesar de ser uma obra de ficção, a novela pode influenciar o restante do país a ter uma falsa visão do Estado de Roraima. Vereador Nilvan Santos

Futuro de Boa Vista é incerto, diz Zélio Mota

Antes do discurso de Medeiros, o vereador Zélio Mota (PSD), líder da prefeita Teresa Surita na Câmara Municipal, havia dado início ao debate, apresentando dados que comprovam a incapacidade do sistema de saúde municipal de prestar atendimento à população local e aos imigrantes, dada a restrição orçamentária.

Segundo Mota, os postos de saúde de Boa Vista vivem lotados, sendo a maior parte dos atendimentos feita a estrangeiros. Ele disse que nas escolas municipais já existem mais de 4 mil venezuelanos matriculados. “E quem paga essa conta”, questionou.

“Dentre outros prejuízos, a população de Boa Vista agora sofre com a onda crescente de violência. Todos os dias acompanhamos na imprensa casos de furtos, roubos e até latrocínios envolvendo venezuelanos. O último caso foi registrado em Boa Vista, infelizmente, aconteceu com o irmão do nosso amigo Luiz Brito [empresário local]”, lamentou. [Zélio Mota se referia exatamente ao assassinato do também empresário Antônio Coelho de Brito, ocorrido no domingo (16 de junho)].

“Se o Governo Federal não começar a agir de forma efetiva com relação a Roraima, nosso estado e nossa cidade nunca mais serão os mesmos. Passaremos a ser, além da capital mais pobre do Brasil, a capital mais violenta e miserável”, disse. Em coro, os vereadores de Boa Vista acusaram certo sentimento de orfandade política, pois consideram que a bancada federal de Roraima pouco tem feito em busca de apoio e soluções para os problemas da crise imigratória.

Vereadores endossam desabafo

Em maior ou menor grau, os vereadores Linoberg Almeida, Idázio da Perfil, Vavá do Tianguá, Ítalo Otávio, Albuquerque, Genilson Costa, Pastor Jorge, Miriam Reis, fizeram intervenções ponderando sobre a necessidade de mais atenção do Governo Federal no sentido de dar as condições necessárias ao poder público estadual e municipal para que se possa pôr em prática políticas públicas que supram as necessidades da população brasileira que vive em Roraima.

A condenação da violência foi um dos pontos mais viscerais do debate. Os parlamentares mostraram preocupação com a entrada de assassinos, traficantes e ladrões vindos do país vizinho em meio da multidão de imigrantes que entra no Brasil diariamente pela fronteira roraimense.

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