Candidato que foge ao debate tem algo a esconder dos eleitores. No mínimo, seu despreparo

A realidade pandêmica que estamos vivendo trouxe mudanças profundas na campanha eleitoral deste ano. Grandes comícios e reuniões presenciais foram desaconselhados pelas autoridades de saúde e não estão sendo realizados por parte daqueles candidatos que realmente se preocupam com seus eleitores. Porém, aqueles outros que querem o poder pelo poder desobedecem as regras de segurança e expõe multidões ao risco de contaminação e, consequentemente, de morte.

Nesse cenário tão atípico, onde nem sempre é possível manter um contato corpo a corpo com os candidatos a prefeito, principalmente, o que resta para os eleitores tomarem conhecimento da capacidade dos concorrentes são os debates entre os candidatos, televisionados ou não.

Esses importantes eventos promovidos pelas emissoras de televisão e a Universidade Federal de Roraima (UFRR) são o lugar ideal para que, de forma espontânea e sem a maquiagem da propaganda eleitoral (nada)gratuita, os candidatos a prefeito possam ser inquiridos sobre suas propostas, projetos e verdadeiras intenções como os gestores públicos que se propõem ser.

Mas virou regra os candidatos que aparecem nas primeiras colocações nas pesquisas de intenção de voto, fugirem ao debate como o diabo foge da cruz. Uns alegam choque de agenda, mesmo tendo concordado com as regras dos debates, e tendo sido avisados sobre a data da realização dos dos eventos com semanas de antecedência. Outros não dão sequer explicação.

Mas, na real, o verdadeiro motivo, é a covardia e a falta de coragem de serem questionados diante das câmeras, sem o amparo da sua equipe de marketing, que geralmente fica à disposição durante a gravação dos programas eleitorais, onde eles contam as histórias e lorotas que querem contar.

Num estúdio fechado, pago com dinheiro público, repito, pode-se gaguejar quantas vezes quiser. Num estúdio de produtora contratada a peso de ouro é possível recomeçar, quantas vezes for necessário, a narração ensaiada do texto escrito por especialistas em marketing político e que foi decorado de véspera. Mas no debate ao vivo, não.

Candidatos que são ruim de discurso e têm sérias dificuldades de articular pensamentos mais elaborados, ou que são marionetes de caciques políticos mais experimentados, certamente veem na fuga aos debates a única forma de não serem desmascarados.

Afinal, não seria nada fácil ter de explicar como se pode falar em gestão séria e honesta, com respeito aos recursos públicos, quando se tem como principal guru e fiador políticos que em vez de passado têm ficha corrida e que respondem às acusações mais graves de desvio de dinheiro.

Por outro lado, os candidatos que aproveitam a oportunidade do debate conseguem mostrar porque eles, e não os outros, os fujões, merecem a confiança do eleitor. Um dos quesitos que fazem de um postulante a cargo público merecer a confiança do eleitorado (pelo menos deveria ser assim) é ter coragem de ir além da fantasia criada pelas campanhas mirabolantes e espetaculosas, azeitadas com dinheiro público.

Ao contrário disso, candidatos que falam uma coisa e fazem outra, que defendem a honestidade, mas se aliam aos desonestos, precisam ser repudiados. É por isso que eles fogem dos debates. Esses não devem ser eleitos.

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LUIZ VALÉRIO
LUIZ VALÉRIO

Jornalista e Podcaster. Este Blog, que edito há 18 anos, é uma singela contribuição para a sociedade. É uma espécie de "jornal pessoal" por onde tento provocar o debate sobre assuntos inadiáveis para Roraima e para o Brasil. Também edito o Podcast Direto ao Ponto, que vai ao ar todas as semanas e você também pode ouvir aqui.

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