Governo precisa investir em inovação e tecnologia nas escolas públicas

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Não é novidade para ninguém que a situação da educação pública em Roraima e no Brasil é das mais precárias. Essa triste realidade, que faz com que professores trabalhem no limite do possível, com escolas sucateadas e sem os equipamentos e recursos pedagógicos necessários ao bom desempenho dos alunos no processo de ensino/aprendizagem, é decorrente da forma irresponsável com que os últimos governo trataram as políticas educacionais e os recursos destinados para essa área em nosso estado e país. Aqui em Roraima, os esquemas de desvio de recursos do transporte e da merenda escolar desbaratados recentemente pela Polícia Federal são exemplos emblemáticos disso.

Porém, o desempenho obtido pelas professoras Rutemara Florêncio, vencedora do Prêmio Educador Nota 10, e Simone Catão, que ficou entre os 50 finalistas, é uma prova inconteste de que temos profissionais de excelência, capazes de produzir conhecimentos e conduzir seus alunos pelos caminhos da aprendizagem com resultados extremamente positivos. Apesar de todas as limitações enfrentadas pelos professores nas escolas estaduais, com salas de aula sem equipamentos e tecnologias necessários ao processo de ensino/aprendizagem, há muitos profissionais com muito talento e uma disposição franciscana para fazer acontecer uma educação de qualidade.

Como consequência do descaso dos governos com a educação, grande parte das nossas escolas não tem, por exemplo, conexão com a Internet. Estar conectado à rede mundial de computadores é algo primordial nos dias de hoje para que se possa usar todas as tecnologias embutidas na World Wide Web, como aplicativos, materiais de pesquisa em PDF e nos diversos outros formatos, bibliotecas online, documentários em vídeo, vídeo tutoriais, webseries, e-books, Podcasts, sites científicos, blogs, mapas, materiais para aulas de inglês online, plataformas para criação de web rádios, blogs, sites, etc., que podem ajudar na tarefa do professor produzir e compartilhar conhecimento nesta era digital.

Possibilitar ao professor e aos alunos acesso a todas essas ferramentas disponíveis na Internet pode fazer do processo de ensino/aprendizagem uma grande aventura nesses tempos de hiperconectividade. Infelizmente, as escolas de Roraima ainda vivem na pré-história da evolução tecnológica. Os laboratórios de informática, quando existem, são completamente sucateados ou montados com máquinas já obsoletas que para nada servem. Como se não bastasse isso, assim como parte dos alunos, excluídos digitalmente, alguns professores são analfabetos digitais e precisam ser qualificados ministrar aulas para seus alunos, muitos deles nativos digitais.

É preciso dizer, porém, que para mudar essa situação não basta distribuir tablets para professores e alunos, com hardware e software obsoletos, como já foi feito por governos passados aqui em Roraima, de forma inconsistente e sem nenhum critério. São necessários planejamento e estratégia para aplicar políticas de inovação tecnológica à rotina das escolas, dos professores e dos alunos.

Enquanto os governos fecham os olhos para essa necessidade, professores e estudantes ficam privados de ter acesso a um farto material que poderia ser usado para facilitar o processo e ensino/aprendizagem em sintonia com a era digital em que vivemos, onde conexão à internet e a imersão em telas de tablets e smartphones é uma realidade na vida de muitos estudantes.

Regra geral, hoje o professor ainda se vê preso ao esquema livros didáticos (geralmente defasados e fora da realidade dos alunos), quadro e pincel. Quando o mestre quer dar uma aula mais dinâmica, se vê obrigado a ter que comprar seu próprio projetor (data show), levar sua Smart tv de casa ou a usar seu plano de internet e notebook para dar aulas. Mas, não deveria ser assim. É preciso investir em pesquisa, inovação e tecnologia também nas escolas. Ou principalmente nelas.

Dados da pesquisa TIC Educação, do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), divulgada no último dia 16 de julho, 92% dos professores de escolas públicas e 86% das escolas particulares buscam sozinhos – sem nenhum apoio do empregador – se informar sobre novos recursos que podem servir como ferramentas de ensino ou inovações tecnológicas. Mas não só isso: ao tomar conhecimento das novas possibilidades tecnológicas que podem contribuir no processo de ensino/aprendizagem o professor dá o seu jeito para adquirir os esquipamentos e aplicativos necessários a uma boa aula. Como já citado acima, outro gargalo apontado pela pesquisa é a infraestrutura das escolas para ensinar sobre tecnologias, pois não há computadores e muito menos acesso à internet.

Mesmo diante dessa negligência institucional em nível nacional, há muitos exemplos de professores que se superam e levam suas turmas de alunos a um outro nível de aprendizagem e, por isso, se destacam em nível nacional. É o caso das professoras roraimenses Rutemara Florêncio e Simone Catão. Acredito que o governo de Antônio Denarium tem a capacidade e o comprometimento para mudar a realidade das escolas estaduais descrita acima. Muita ações positivas têm sido postas em prática nesses primeiros seis meses de governo. Esperamos que a educação receba o upgrade necessário nos meses e anos seguintes da atual gestão. Assim, Roraima estará plantando, em definitivo, a semente do desenvolvimento para um futuro não tão distante.

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