Sobre o mito da imparcialidade jornalística e o discurso virulento dos haters

Campanha Prefeitura Julho (1)

Querido leitor,

O Brasil vive dias de intolerância político-ideológica à esquerda e à direita, todos os dias.

Se por um lado a rapidez e a interatividade das redes sociais e da Internet servem para dar voz a quem antes não tinha voz, também possibilitam a propagação de discursos de ódio por parte daqueles que não sabem o que é pluralidade de pensamento e opinião.

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Nas redes virtuais de relacionamento sobram agressões contra quem quer que pense diferente, fora da caixinha ou assuma uma posição que contrarie o ponto de vista do outro, mesmo que essa não seja a intenção.

O simples pensar ou o ato de informar já é motivo para que se caia em desgraça e se transforme em alvo de todo tipo de julgamento e/ou xingamento, enfim, de tudo quanto caiba na escuridão da cegueira maniqueísta dos haters de plantão.

Eu tenho dito ao longo dos anos que eu não acredito em imparcialidade no jornalismo. Dizia isso no curso de Jornalismo onde lecionava e continuo afirmando hoje em dia, depois de mais de 23 anos de atuação.

Nenhum veículo de comunicação ou dono destes é imparcial. Todos têm os seus interesses dos mais nobres aos mais inconfessáveis. Da Rede Globo ao jornal de bairro.

E isso acontece pelo simples motivo de que o ser humano, seja ele médico, advogado, jornalista, marceneiro, pedinte ou o que quer que seja, não é imparcial. Todos nós temos um olhar particular sobre a vida, sobre os fatos, sobre os acontecimentos.

O veículo de comunicação que se “vende” como imparcial está ferindo de morte aquela que deve ser a principal a principal característica da atividade jornalística: a verdade ou a busca incessante por esta.

No mais, jornalista não é máquina. É gente como você, caro leitor.

Ultimamente tenho sido alvo de algumas agressões no Facebook devido a matérias que posto aqui no blog. Vozes se levantam e dizem equivocadamente: “Luiz Valério, você já foi mais imparcial”.

Não, meu caro, minha cara, eu nunca fui imparcial. Sempre assumi posições. A minha posição mais marcante, por exemplo, é ser contra a corrupção. Ponto.

Aqui neste blog, critiquei o governo de Suely Campos desde os primeiros dias até os últimos. E isso é assumir posição.

Também aqui neste espaço comentei, informei e cobrei punição (e continuo a fazê-lo) para os envolvidos nos esquemas desvendados pela Lava Jato. Em nível local tenho cobrado que os envolvidos nos esquemas desvendados pelas operações Praga do Egito, Cartas Marcadas, Escuridão, Operação Zaragata, etc., etc., etc., paguem por seus atos com todo o rigor da lei. Isso é assumir posição.

Não tenho postura imparcial. Nem quero ter.

Quando criei este blog há exatos 16 anos, o fiz exatamente porque estava cansado do jornalismo declaratório morno que se pratica aqui no Brasil. Queria ter um espaço meu, onde pudesse fazer o jornalismo que acredito ser mais útil à sociedade.

O que defendo e não abro mão é a honestidade ao informar. É preciso que se deixe claro de que lado está, caso seja preciso assumir um lado.

Pois bem. Considero que depois de anos de desmandos, com o governo estadual se alternando nas mãos de dois grupos que ao longo das décadas pilharam o Estado, até chegamos à atual situação de falência, é preciso dar um voto de confiança a um neófito na política. Falo do governador Antônio Denarium (PSL).

Que fique claro: eu não acredito em político 100% honesto ou com auréola pairando sobre a cabeça. Mas entendo que estamos vivendo um período de mudanças profundas no Brasil e que é preciso dar um voto de confiança a quem está chegando. Se a confiança depositada for desmerecida, chegará a hora de cobrar.

Assim como acontece com o presidente da República Jair Bolsonaro, Denarium encontrou uma estrutura administrativa viciada e um ambiente político que mais parece um ninho de víboras, onde sobra veneno. Trata-se de um ambiente hostil onde ninguém faz nada sem esperar algo em troca.

Logo, querer ver tudo consertado em 50 em poucos dias de governo é pedir muito. É preciso esperar para ver o resultado das primeiras ações.

Como jornalista e editor de mim mesmo, estou dando tempo ao tempo. Estou avaliando as ações. E torcendo para que os acertos continuem acontecendo.

O fato é que para mudar a situação econômica de Roraima algumas medidas impopulares precisaram ser tomadas. E, claro, isso desagradou a muita gente.

Recorro novamente à analogia com a situação de Bolsonaro. Assim como ocorre em nível nacional, a estrutura política está por demais viciada e comprometida com as velhas práticas e os interesses umbilicais mais mesquinhos.

Por isso é cedo para cobrar que se mude tudo de forma tão rápida. Isso seria o ideal. Mas o ideal é também utópico. Não se realiza na prática. Quem chega ao poder toma um choque de realidade. E geralmente o que se descobre não é nada bom. A realidade geralmente é mais impactante que a ficção.

No mais, as pessoas falam em mudanças, mas desde que a sua situação particular continue intocada, que seus privilégios sejam mantidos, que ninguém mexa com suas conveniências.

Roraima, como o Brasil, só mudará se os velhos paradigmas forem quebrados. Se todos quiserem manter seus privilégios, sua boquinha, sua vantagem, nada mudará. Continuará tudo igual. E com tendência a piorar.

No mais, é preciso saber debater as questões sem incorrer no erro de querer desconstruir a imagem do outro só porque este outro pensa diferente de você.

As palavra a ser usada é igual à atitude que falta a muitos: TOLERÂNCIA.

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