quinta-feira , fevereiro 20 2020
ex-senador-romero-juca
O ex-senador Romero Jucá, que deixou a obra do Estádio Canarinho parar por dez anos, agora quer convencer o público de que a obra saiu graças à sua influência
Início / Blog do Luiz Valério / Jucá queria R$ 257 milhões para reforma do Canarinho, deixou obra parar por dez anos e agora quer ser o ‘pai da criança’

Jucá queria R$ 257 milhões para reforma do Canarinho, deixou obra parar por dez anos e agora quer ser o ‘pai da criança’

O velho e esperto ex-senador Romero Jucá (MDB) não se emenda nunca. Agora que o Estádio Flamarion Vasconcelos (Canarinho) está pronto para ser entregue à população, depois de passar dez anos fechado para uma reforma que não terminava nunca, o político que passou anos se vendendo como o senador mais influente do Brasil, mas nunca resolveu, efetivamente, nenhum dos problemas mais urgentes de Roraima, agora aparace querendo ser o “pai da criança”. Num vídeo postado nas redes sociais, Jucá tenta convencer os incautos de que a obra será inaugurada agora graças ao seu esforço. Pura balela.

Vamos a uma retrospectiva necessária e elucidativa sobre a reforma do Canarinho. A obra foi anunciada em 2010, pelo então governador José de Anchieta, falecido em dezembro de 2018, ao custo de R$ 80 milhões, mas achando pouco esse montante, esse valor foi elevado, graças à interferência de Romero Jucá, a estratosféricos R$ 257 milhões, num convênio firmado com o Governo Federal.

No entanto, o Ministério Público Federal (MPF) recomendou a suspensão do repasse pela Caixa Econômica Federal. A soma era simplesmente absurda. A recomendação do MPF foi acolhida pela instituição financeira e o valor foi reduzido para R$ 99 milhões. A obra de reforma, enfim, foi inciada em 2012. A ideia era que o Canarinho servisse de subsede para treinamento das seleções de futebol participariam da Copa do Mundo de 2014. Pura ilusão.

Jucá, que hoje se anuncia como um dos responsáveis pelo ressurgimento do Estádio Canarinho, todo reformado e com uma estrutura moderna, chegou a afirmar que a obra inicialmente orçada nesse valor absurdo de R$ 210 milhões era “megalomaníaca”. Curioso que foi ele mesmo o autor das duas emendas que visavam transferir os recursos do Orçamento da União para a obra. As eternas e recorrentes incoerências discursivas de Jucá.

Megalomaníaco mesmo é o ego do ex-senador, que quer sempre aparecer como o autor de todas as ideias, mas que na prática pouco fez efetivamente pelo desenvolvimento de Roraima. Mas a verdade, mesmo, é que a obra foi feita com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e não com recursos de emenda de Jucá. Essa é outra inverdade propagada pelo home do bigode.

E como tudo em que Jucá mete a mão aparecem suspeitas de irregularidades (estão aí os inquéritos da Operação Lava Jato que não nos deixam mentir), ao analisar o projeto de reforma do Canarinho, o Tribunal de Contas da União (TCU) apontou diversas irregularidades na obra.

O fato é que Jucá e o então governador José Anchieta queriam construir um estádio a peso de ouro. Com capacidade para apenas 10.000 pessoas, cada assento do Canarinho sairia por R$ 10.000, valor superior à soma dos cinco estádios que estavam sendo construídos ou reformados para a Copa de 2014.

O TCU constatou à época (2013) que menos de 20% dos trabalhos estavam concluídos, mas o cronograma físico-financeiro alcançava 78% de conclusão. Isso significa que enquanto menos de 20% da obra estava pronta quase 80% dos recursos já tinham sido abocanhados. O dinheiro tinha sumido misteriosamente.

Entre as irregularidades encontradas pelo TCU, foi detectada a medição incorreta de necessidade de materiais; a compra de materiais com preços acima do valor de mercado; projeto executivo deficiente ou desatualizado; inobservância dos requisitos legais e técnicos de acessibilidade, entre outros. O TCU ainda apontou desperdícios de dinheiro público numa obra que até ali era feita nas coxas.

Depois de muitas idas e vindas em torno do projeto, a obra de reforma do Canarinho acabou sendo redimensionada e confirmada pelo falecido José de Anchieta pelo valor de R$ 38 milhões, montante que depois foi reduzido para R$ 34.395.387,05.

Essa entrevista do Waldenir Bentes com  Marcelo Jung, gerente de filial da gerência executiva de governo, deixa claro que a obra do Canarinho foi feita com recursos do PAC e não de emenda parlamentar

Ao fim e ao cabo, o projeto acabou ficando no valor de R$ 33.689.217,48, sendo R$ 26.294.622,50 em aporte de recursos federais e R$ 7.394.594,99 de contrapartida do Estado. Um valor bem mais realista para um estádio do tamanho do Canarinho.

A questão é que passou a Copa de 2014 e nada do Estádio Canarinho ficar pronto. Chegou a Copa de 2018 e as obras de reforma daquela praça de esporte permaneciam paradas.

Somente agora, sob o governo de Antônio Denarium e, coincidentemente com Jucá sem nenhum poder de influência na destinação de recursos e no andamento dos trabalhos, o Estádio Canarinho está concluído, novinho em folha, pronto para ser devolvido à população de Roraima. Enquanto Jucá e seu grupo político tinham ingerência na obra, ela não saiu do lugar. Isso não é muito curioso?

Com todas essas informações devidamente documentadas pela imprensa local e nacional, Jucá ainda vem querer mentir e dizer a obra do Canarinho saiu do papel graças a ele. Ah, Jucá, para com isso! Ninguém acredita mais nas suas palavras.

Foto: Poder360

Leave your vote

0 Reviews

Write a Review

Comentários

0 Comentários

Sobre Luiz Valério

Sou Luiz Valério. Cearense nascido em Juazeiro do Norte, no Cariri cearense. Tenho formação em Letras, curso Comunicação Social e atuo como professor e jornalista há 24 anos. Sou Pós-graduado em Comunicação Social, Assessoria de Imprensa e Novas Tecnologias. Atualmente faço uma Pós-graduação em Marketing Digital. Mantenho este blog há 16 anos.

Confira também

sergio moro congresso mp

‘Justiça não deve tolerar indivíduos corruptos poderosos em cargos elevados’, diz Moro

Em seu discurso Sérgio Moro afirmou que os casos de indivíduos corruptos poderosos que ocupam cargos elevados não devem ser tolerados. “É uma afronta institucional à nossa sociedade e à nossa democracia”, afirmou. A fala de Moro pareceu um recado para os magistrados roraimenses.

Log In

Forgot password?

Forgot password?

Enter your account data and we will send you a link to reset your password.

Your password reset link appears to be invalid or expired.

Log in

Privacy Policy

Add to Collection

No Collections

Here you'll find all collections you've created before.

Send this to a friend