O fim da arrogante era Jalser no comando da Assembleia Legislativa

E eis que chegou ao fim a Era Jalser no comando da Assembleia Legislativa de Roraima. Um tempo de opressão, gasto de dinheiro público em grande escala e tramas políticas ardilosas.

No decorrer de uma semana, o agora ex-todo-poderoso, mas ainda influente Jalser Renier (Solidariedade), sofreu dois tombos que ele jamais esperava para tão breve.

Ele foi destituído da presidência da Assembleia Legislativa por determinação do STF e viu seu principal algoz dos últimos tempo, deputado Soldado Sampaio (PC do B), se eleger para ocupar o cargo do qual ele, Jalser, se apossou vaidoso por três mandatos seguidos, partindo para o quarto, conseguidos a peso de ouro.

Fica a lição para Jalser de que o poder neste mundo é transitório e que ao deixar o cargo proeminente que se ocupa por algum tempo, é preciso ter plantado mais que ventos que tendem a virar tempestades. É preciso deixar um legado do qual não se envergonhe nem se arrependa pelas derrapadas cometidas.

O poder e a enganosa influência política comprados com dinheiro público se esvaíram no ar feito fumaça. Os aliados de outrora, inclusive o deputado Jânio Xingu, vendo o barco capitaneado por Jalser afundar, não tardaram a pular fora aproveitando um oceano de novas possibilidades para nadar de braçadas.

Rei morto. Rei posto.

Mas as maiores turbulências e dissabores ainda estão por vir para Jalser. Agora, sem o poder de outrora, reduzido à persona de um mero deputado, sem a chave do recheado cofre da Assembleia Legislativa, ele terá que prestar contas das graves acusações e desmandos dos quais é acusado.

Cartas Marcas, Royal Flush, o rumoroso caso do sequestro Romano dos Anjos, entre tantas outras situações embaraçosas, como a liminar que o tirou da prisão decorrente do Caso Gafanhotos, tudo isso constará na pesada fatura que vai ser cobrada Menino de Outro, sempre sedento por mais e mais poder.

Curioso foi ver os aliados de outrora, que elegeram e reelegeram Jalser a sucessivos mandatos de presidente da ALERR, o abandonado à própria sorte.

Eu disse em meu comentário anterior que a derrocada política de Jalser começou, em definitivo, no pleito do ano passado. Reforço aqui minha opinião.

Agora, Jalser perde poder, inclusive, para causar embaraços à gestão do prefeito Arthur Henrique (MDB) e mesmo ao governador Antônio Denarium (sem partido), a quem chantageava, sabe-se, com ameaças de impeachment.

Ontem, enquanto eu ia e voltava do Sul de Roraima, fiquei raciocinando sobre como deve (ou conclui isso, mas posso estar errado) todo o processo de construção da derrubada de Jalser pelo deputado Soldado Sampaio.

Divido com vocês meu raciocínio e minhas conclusões:

Depois do embate de Sampaio com Jalser, quando o deputado comunista chamou o agora ex-presidente da Assembleia de ladrão, em plena tribuna daquele Poder, Jalser como revanche e represália, tratou de engessar o mandato de Sampaio na Assembleia: demitiu seus servidores de cargos em comissão, cortou verbas, monitorou os passos do parlamentar na Casa, tudo isso tentando sufocar o adversário politicamente.

A saída para essa situação embaraçosa, penso eu, foi Sampaio abrir mão temporariamente do cargo de deputado, se transferir para a chefia de Gabinete Civil do governador Antônio Denarium e, assim, poder ter um território livre para articular a queda do seu maior adversário. Para isso, era preciso entreter Jalser com algum brinquedo, dar-lhe a sensação de que ele estava no comando de tudo, que seu poder era irresistível.

E assim, foi dado um pirulito substancioso ao menino de ouro: o comando da Secretaria de Saúde. Enquanto Jalser se divertia com seu saboroso e nutritivo pirulito – zero açúcar – Soldado Sampaio trabalhava as estratégias certas para derrotar o até então todo poderoso adversário.

Acreditando estar por cima da carne seca, Jalser criou ainda mais marra e quis estender os tentáculos do seu poder para a Prefeitura de Boa Vista. Só teve a infeliz ideia de escolher o deputado federal Ottaci Nascimento (Solidariedade), que se mostrou um candidato fraco, sem robustez política e sem densidade eleitoral, para peitar a gestora mais bem avaliada do Brasil: a prefeita Teresa Surita.

Enquanto isso, no Palácio Senador Hélio Campos, ocupando o cargo de segundo homem mais poderoso do governo, Sampaio costurava o estratagema que resultaria na queda de Jalser. Foi uma jogada de mestre. Um xeque-mate.

Passados dois meses das eleições municipais, pouco tempo depois da última grande jogada de Jalser, a eleição do vereador Genilson Costa para presidente da Câmara Municipal de Boa Vista, veio a debacle de debacle. A queda.

Agora, com Sampaio no comando do Poder Legislativo, muda todo a configuração política em Boa Vista e em Roraima. O poder de pressão opositiva da Câmara Municipal sobre o prefeito Arthur vai diminuir. As dificuldades para aprovação de projetos do Governo do Estado na Assembleia Legislativa também.

E assim, o cenário político fica menos pesado e, esperamos, o jogo político seja jogado com menos ameaças e chantagem e mais inteligência e compromisso com o futuro do Estado de Roraima e das pessoas que nele habitam.

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LUIZ VALÉRIO
LUIZ VALÉRIO

Jornalista e Podcaster. Este Blog, que edito há 18 anos, é uma singela contribuição para a sociedade. É uma espécie de "jornal pessoal" por onde tento provocar o debate sobre assuntos inadiáveis para Roraima e para o Brasil. Também edito o Podcast Direto ao Ponto, que vai ao ar todas as semanas e você também pode ouvir aqui.

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