OPINIÃO – Sejamos racionais e preservemos vidas evitando aglomerações

Mais de um ano depois de explodir no mundo e chegar ao Brasil, a pandemia de Covid-19 se agrava em vez de amenizar. Dia após dia, o Brasil bate recorde de mortes causadas pela doença. Neste sábado (24 de abril), o país registrou 2.986 mortes por Covid neste e se aproximou de 390 mil óbitos. Conforme o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Saúde de Roraima (Sesau), até anoite deste sábado, foram confirmados 95.223 casos positivos da doença no estado e um total de 1.472 óbitos.

Em decorrência dessa agudização da pandemia, os prefeitos se viram obrigados a publicar decretos estabelecendo medidas restritivas, com horários limite para o funcionamento dos estabelecimentos comerciais, igrejas, bares e até mesmo festas e eventos de cunho particular em residências.

As medidas são amargas e desagradam a população, mas são necessárias para tentar conter o avanço da pandemia. No entanto, a classe dos comerciantes se sente prejudicada e alega prejuízos. É a maximização pandêmica daquele dito popular “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

Todas as prefeituras de Roraima publicaram decretos com medidas de contenção e restrição, objetivando reduzir a circulação de pessoas nas ruas e nos espaços públicos. Esses decretos seguem sendo prorrogados mês após mês porque em vez de passar, a pandemia só se agrava, as contaminações só aumentam, assim como o número de vidas perdidas só se agiganta.

O problema é que com o passar do tempo e a pressão dos comerciantes e de parte da sociedade, os gestores foram flexibilizando as medidas, revisando os decretos que passaram a dar sinais dúbios às pessoas. Num item determinado decreto fala da obrigatoriedade de se manter a higienização e o isolamento social para, no parágrafo seguinte, permitir ajuntamento de até 50 pessoas, abertura de bares, festas familiares, ampliação do horário do funcionamento do comércio, etc.

Ou seja, os prefeitos querem agradar a gregos e troianos e acabam afrouxando as regras, o que acaba por colocar toda a população em risco. A prova inconteste disso são as aglomerações verificadas nos municípios de Rorainópolis e Boa Vista, com centenas de pessoas se colocando em risco de contaminação, podendo se transformar em vetores do Coronavírus e espalhar a doença de forma descontrolada. Só numa festa irresponsável na Capital havia mais de 300 pessoas. O que mais choca é que há pessoas que consideram isso normal e até defendem esse desvario.

O mais triste é não termos nenhuma previsão sobre quando ficaremos livre desse cenário de horror. Parte dessa incerteza é resultado da postura displicente dos gestores e de parcela da população, que se recusa a seguir as recomendações das autoridades de saúde, como usar máscara, evitar sair de casa e não se aglomerar.

O diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom, já alertou que “a complacência e inconsistência nas medidas de saúde pública e sua aplicação [por parte dos gestores públicos] estão impulsionando a transmissão e custando vidas”.

Enquanto a pandemia não arrefece e só avança, o processo de vacinação contra a Covid-19 no país anda a passos de tartaruga, devido à lentidão na aquisição de vacinas pelo Governo Federal. Os imunizantes chegam a conta gotas e a população dos municípios vivem na expectativa sobre quando vai chegar sua vez de ser imunizado contra o vírus letal. Nos hospitais, os leitos de UTI chegam ao seu limite. Remédios e insumos são insuficientes.

A situação é tão delicada que os prefeitos se viram obrigados a se juntarem no chamado Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades Brasileiras, que tem o objetivo de facilitar a negociação e a compra de imunizantes pelos municípios.

Essa foi a forma encontrada de ter acesso de forma mais rápida às vacinas, o que vai garantir maior proteção da população contra o Novo Coronavírus. Sendo assim, só nos cabe assumirmos uma postura de autorresponsabilidade e fazermos a nossa parte para evitarmos a progressão irrefreada da Covid-19.

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LUIZ VALÉRIO
LUIZ VALÉRIO

Jornalista e Podcaster. Este Blog, que edito há 18 anos, é uma singela contribuição para a sociedade. É uma espécie de "jornal pessoal" por onde tento provocar o debate sobre assuntos inadiáveis para Roraima e para o Brasil. Também edito o Podcast Direto ao Ponto, que vai ao ar todas as semanas e você também pode ouvir aqui.

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